08/01/2015

Brasileira muda rotina e diz que é a primeira vez que sente medo na França

A jornalista brasileira Denise Rodrigues da Cunha viu sua rotina mudar após o atentado à revista 'Charlie Hebdo'
Reprodução/Facebook A jornalista brasileira Denise
 Rodrigues da Cunha viu suarotina mudar após o atentado
 à revista 'Charlie Hebdo'

Vivendo na França há mais de seis anos, a jornalista brasileira Denise Rodrigues da Cunha, 29, começou esta quinta-feira (8) com uma mudança na sua rotina.
Ela saiu para o trabalho uma hora mais tarde para evitar o horário de pico no metrô e a aglomeração de passageiros nas estações de Paris. Denise afirmou ao UOL estar tranquila, mas ainda receosa depois do ataque que deixou 12 pessoas mortas na quarta-feira (7). 
"Para quem não tinha entendido o peso do atentado, hoje ficou mais claro: é um dia de luto nacional", diz ela, que mora a poucas quadras de onde ocorreu o atentado, no 11º distrito de Paris. Dois homens encapuzados e armados invadiram a Redação do semanário "Charlie Hebdo" e mataram 12 pessoas, entre jornalistas, cartunistas e policiais.
Quando o massacre aconteceu, ela já estava no trabalho, em Suresnes, nos arredores da capital francesa. Enquanto acompanhava as notícias cada vez mais assustadoras, Denise começou a pensar sobre como seria a volta para casa, um trajeto que ela faz em uma hora, de transporte público. Seus amigos já tinham enviado mensagens a ela dizendo que a região estava toda bloqueada, tomada por policiais. Esta foi a primeira vez em que ela realmente se sentiu em perigo na França.
"No Brasil, a gente não conhece isso", diz a jornalista, natural de Goiânia (GO), que se mudou para a França para fazer um mestrado e acabou ficando.
Sem saber se conseguiria dormir em casa na noite de ontem, a jornalista parou no meio do caminho, na place de la République (praça da República), onde milhares de pessoas se uniam pacificamente empunhando cartazes com as palavras 'Je suis Charlie' (Eu sou Charlie).
"Senti uma coesão, uma solidariedade muito grande. Era um clima de consternação e compaixão que eu nunca tinha visto antes. Muitos jovens, idosos, crianças com velas nas mãos." O espírito muito forte de "não ser calado" foi o que Denise percebeu na multidão.
"Charlie não está morto! Não temos medo! Liberdade de imprensa, liberdade de expressão! Juntos e unidos pela democracia!" foram frases entoadas por quem estava na praça.  
Só por volta de 21h a jornalista voltou para casa: várias ruas no entorno ainda estavam bloqueadas e foram liberadas aos poucos na madrugada. Também havia policiais por todo o lado, mas a situação já era calma.
"Eu compararia, como sou do Brasil, a quando o Ayrton Senna morreu. A gente chorava como criança, como se fosse nosso parente. (...) Foi muito forte politicamente, vamos ter consequências no nosso dia a dia."
O esquema mais forte de segurança, inclusive com agentes da força nacional, está concentrado nos pontos turísticos da cidade, como as galerias Lafayette, o Museu do Louvre e a torre Eiffel.
Pela manhã, ao começar o dia seguinte ao atentado tão perto de onde ele ocorreu, Denise se lembrou de um outro ataque, em 2012, que também chocou a França. Em março daquele ano, um jovem francês de origem argelina matou quatro crianças e um professor em uma escola judaica, na cidade de Toulouse, e três militares em Montauban (sudoeste do país), no período de uma semana.
"Fiquei com um pouco de medo. Os caras ainda não foram pegos, né?", disse a jornalista. "Fiquei com medo de que acontecesse algo parecido."
Para ela, o atentado ao "Charlie Hebdo" fere não só a liberdade de imprensa, mas também o povo, o governo, a França de uma forma geral. Denise avalia que as políticas voltadas para a imigração e os imigrantes não têm sido satisfatórias, o que faz com que a divisão entre franceses e não franceses fique ainda mais profunda.
"O atentado mostra que existe um mal-estar muito grande na sociedade", lamenta a jornalista.

Sobre Guilherme Pereira :

Sou estudante e propietario do site Bahia Tropical Plus gosto de curiosidades, inventar coisas, sou viciado em tecnologia e eletronica, Sempre Busco aprender novas coisas.

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